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Dólar dispara e Bolsa recua com mercado pressionado por juros nos Estados Unidos

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Moeda americana se aproxima novamente de R$ 5,20 enquanto investidores reagem a sinais de inflação persistente e possível aperto monetário pelo Federal Reserve

O mercado financeiro brasileiro iniciou julho sob forte pressão nesta quarta-feira (1º/7). O dólar avançou diante do aumento da aversão ao risco global, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, operou em queda após uma abertura negativa.

Por volta das 11h10, a moeda americana subia 0,42%, cotada a R$ 5,18. Já o Ibovespa chegou a registrar forte baixa no início do pregão e, mesmo com recuperação parcial ao longo da manhã, permanecia no campo negativo, recuando 0,36%, aos 171,4 mil pontos.

Segundo analistas, o movimento é reflexo principalmente do cenário internacional, com investidores atentos aos próximos passos do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos.

Expectativa de juros mais altos aumenta pressão sobre emergentes

A analista de investimentos Rebecca Nossig avaliou que o mercado começou o mês em um ambiente de maior cautela, impulsionado por indicadores econômicos americanos acima do esperado.

Dados recentes apontaram uma economia dos Estados Unidos ainda aquecida, com geração de empregos em ritmo elevado. Além disso, números de inflação mantiveram a preocupação de que a alta de preços continue mais resistente do que o previsto.

Esse cenário reforçou a expectativa de que o Fed possa manter uma política monetária mais rígida, com possibilidade de juros mais elevados por mais tempo.

Quando os juros americanos sobem, investimentos considerados mais seguros, como os títulos públicos dos EUA, tornam-se mais atrativos. Com isso, parte dos investidores reduz a exposição a mercados emergentes, como o Brasil, e busca alternativas de menor risco.

Fluxo estrangeiro pesa sobre Bolsa brasileira

A perspectiva de maior retorno nos ativos americanos influencia diretamente o fluxo de capital internacional. Fundos estrangeiros tendem a diminuir posições em ações de países emergentes, pressionando índices como o Ibovespa.

Além da questão monetária, o mercado brasileiro também foi afetado pela queda nas commodities, especialmente o petróleo.

A redução das tensões geopolíticas envolvendo o Oriente Médio diminuiu o chamado prêmio de risco sobre a commodity, levando os preços internacionais do petróleo para baixo.

Como empresas ligadas ao setor de energia possuem grande peso no índice brasileiro, a queda do petróleo impacta ações importantes e contribui para a pressão sobre a Bolsa.

O mercado segue monitorando os próximos dados econômicos dos Estados Unidos e os sinais do Federal Reserve, que devem continuar influenciando o comportamento do dólar e dos ativos globais nos próximos dias.

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