Um grupo de indígenas de diferentes etnias interditou totalmente um trecho da BR-364, em Cacoal, na manhã desta quarta-feira (8), em protesto contra as condições da assistência à saúde nas aldeias de Rondônia. A manifestação ocorre no quilômetro 224 da rodovia e provoca longas filas de veículos nos dois sentidos.
O bloqueio teve início por volta das 7h30 e, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), apenas ambulâncias, viaturas das forças de segurança e veículos que transportam pacientes em atendimento médico estão autorizados a atravessar o trecho interditado.
De acordo com as lideranças indígenas, o protesto foi motivado por uma série de problemas enfrentados pelas comunidades, entre eles a falta de medicamentos, dificuldades no transporte de pacientes, demora na realização de consultas e precariedade no atendimento prestado às aldeias. Os manifestantes também reivindicam a exoneração da coordenadora do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) de Vilhena.
Representando o povo Rikbaktsa, a indígena Leu Daiane afirmou que a mobilização busca chamar a atenção das autoridades para uma situação que, segundo ela, coloca vidas em risco.
“Estamos reivindicando uma saúde de qualidade para os povos indígenas. Faltam atendimento adequado, saneamento, transporte e medicamentos. Há pacientes aguardando consultas há mais de 30 e até 60 dias. Quando falamos de saúde, estamos falando de vidas”, declarou.
Outra reivindicação apresentada durante a manifestação é a escassez de medicamentos básicos e de veículos para atender ocorrências de urgência nas comunidades indígenas.
Segundo o líder indígena Jaime Rikbaktsa, a realidade enfrentada pelas aldeias compromete o atendimento de casos simples e também de situações emergenciais.
“A gente não tem nem o básico dentro da aldeia, como dipirona e paracetamol. Também faltam veículos para transportar pacientes em situações de emergência até a cidade. A assistência está extremamente precária”, afirmou.
A PRF informou que acompanha a manifestação para garantir a segurança dos usuários da rodovia e monitorar a situação. Até a publicação desta reportagem, o tráfego permanecia totalmente interrompido nos dois sentidos da BR-364, sem previsão para liberação da via.
A reportagem buscou posicionamento do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) de Vilhena e da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) sobre as reivindicações apresentadas pelos manifestantes. Até o fechamento desta matéria, nenhum dos órgãos havia se manifestado. Caso haja resposta, o conteúdo será atualizado.






